terça-feira, 4 de maio de 2010

O SENHOR DAS ALMAS PARTE III


O SENHOR DAS ALMAS PARTE III


CAP 25: APOLO

Amalec faz Sírio ressuscitar.
Humos destrói Lobiguara quando Anaquarrá de repente aparece dando-lhe uma voadora. Nisso, Meteoro explode tantos andróides quanto pode enxergar, com seus poderes telecinéticos.
Amalec prende novamente Anaquarrá em penumbra, e, confiante, manda os outros ajudarem Sísifo.

― Sírio e Humos, vão ajudar Sísifo, já que é o nosso último aliado. Meteoro e eu damos conta do recado aqui.

Quando Sírio e Humos finalmente chegam a Sísifo, encontram-no quase morto em meio a uma batalha descomunal. De um lado almas caídas, do outro, clones mortos e no centro, uma carnificina sem igual.

Hórus e Jonhy abrem uma fenda no tempo e dela tiram um ser que encandeia a todos. Por um momento a luta pára, pois mesmo as almas ficam cegas momentaneamente.

Trata-se de Apolo, que já chega falando de uma previsão.

―A fenda que nos separa do universo de onde surgem os Caos e as Noites se abrirá em breve. Bem e mal se unirão para enfrentar os super-deuses. Esta guerra atual é em vão, outra bem maior não tarda.

CAP 26: O EXÉRCITO DA ESCURIDÃO

Um tremor toma conta de toda a Terra, derrubando todos, exceto Apolo, que flutuava antes do acontecido.

― O exército da escuridão chegou. Amadeu, Anaquarrá, Meteoro e Amalec estão quase sem vida. Partamos pra lá juntos ou também morreremos.

Todos seguem em direção à saída de Asabarcelri. As almas e Humos fundem-se ao corpo de Sísifo, que acorda atordoado.

― Vamos, meu amigo, ―Diz Sírio. ― uma batalha maior nos aguarda.

Um novo Caos e uma nova Noite, saídos de seu universo escuro vieram para desafiar os deuses de cá, criando um exército de deuses que já havia matado Meteoro e Amalec.

Anaquarrá morrera 100 vezes e 100 vezes renascera mais forte. Amadeu, ferido gravemente e já sem poderem, pois derrubara 1 milhão com raios elétricos, outro milhão incendiara e congelara 10 milhões, que Anaquarrá matara. O boêmio só estava vivo por que seu amigo era impávido e leal.

Sísifo cruza os braços, enquanto Jonhy, Hórus, Apolo e os clones partem em direção ao Caos, abrindo caminho entre os deuses caídos.

― Sírio, por que nós deveríamos lutar contra esse exército quando seria melhor nos aliarmos a ele? ― Assim que Sísifo fecha a boca, um raio o atinge, fazendo-o mudar de ideia.

― Vamos revidar, essa canalha não merece viver! Depois cuidamos desses outros deuses do sol e brasileiros.

― Eles vão matar o líder, Sísifo. Vamos pelo menos distrair aguns.

― Você quer dizer, eliminar algumas centenas deles para a nossa glória, Sírio.

― Dá no mesmo.

Sísifo passa entre os deuses feito bala, cortando-os fácil como faca quente em manteiga, até que uma mão enorme o prende e esmaga.
Sírio parte em seu socorro, derrubando a nova Noite com um grande soco na canela. Mas, ela se vira e o prende em sua outra mão.

CAP27: A CONQUISTA AO UNIVERSO ESCURO

Apolo, Hórus e Jonhy lançam um raio de fogo nos olhos de Caos que este cai sobre a Noite, esta larga Sírio e Sísifo, pois cai de quatro tendo o Caos sobre suas costas. Os dois recém-libertos voam para fora da Terra sem mais se importarem com a luta.

― Sírio, vamos até o vácuo de onde o Caos saiu. Imagine, quando conquistarmos aquele universo escuro saberemos como o nosso começou.

― Claro, e ainda teremos um poder invencível quando conseguirmos, mas será que conseguiremos?

― O que temos a perder?

― Você não acha que seria mais sensato ganharmos a batalha na Terra antes?

― De toda formam Sírio, os do universo escuro virão a nós. Sensatez é não esperarmos por eles.

― Acho que você tem razão, Sísifo. Vamos lá.

Quando os dois chegam à entrada para o outro cosmo avistam uma Noite em guarda.

― Vamos cegá-la.

Quando Sísifo lança raios nos olhos da guardiã, Sírio lança um raio no qual concentrara todo o seu poder, fazendo-a em milhões de pedaços. O poder da falecida emana para o seu assassino, que adentra o outro universo.

Como nada viam, Sísifo fabrica sóis artificiais e os lança para o alto, eis que um é sugado em espiral por um redemoinho invisível.

― Você viu isto? Nada existe ali, porém este nada suga até a luz.

― Talvez seja um buraco-negro.

― Quantos deles haverá por aqui?

― Não se preocupe, somo super-deuses. Esses raios-gama não nos afetam tanto.

― Você acha? ― Interrompe a conversa um gigante que surgira a frente da dupla.

― Sim, eu tenho certeza.
Sírio atinge o gigante com todo o seu poder que este rebate sem esforço.

Sísifo se dá conta que respondera para outra pessoa ao invés do amigo quando é suspenso pelo inimigo e arremessado num dos buracos-negros, que o engole.

CAP28: O ATAQUE DOS GIGANTES

Nem todo gigante é criado por um Caos ou por uma Noite, muitos nascem sozinhos e até criam outros, com poder de deus-supremo ou pelo método carnal. E por nascerem no mesmo local que os Caos e as Noite, algumas vezes lhes são aliados, outras não.

O gigante que lutara contra Sírio e Sísifo não era amigo de ninguém e criara um exército para enfrentar a legião que combatia na Terra.

Já na terra, a luta continua apesar de morto o Caos e a Noite. Os gigantes atacam todos os que já lutavam, matando muitos do exército de deuses da escuridão além de Apolo, Hórus e Jonhy, que foram feitos em pedaços.

Anaquarrá renasce mais uma vez aos pés de Amadeu, que levanta ainda zonzo sem saber se os gigantes são aliados ou opositores.

― Amadeu, somos só nós dois contra esses dois exércitos, que também são inimigos entre si.

Amalec e Meteoro, feridos, levantam-se e rapidamente pulam sobre os gigantes com ódio voraz. Dominam a mente de muitos dos gigantes, pondo-os para atacar os próprios companheiros.

CAP29: O EXÉRCITO DE DIAMANTE

Sírio levanta-se e vê a sua frente um soldado construindo armaduras multicoloridas.

― O que faz, soldado?

― Forjo armaduras de diamante para matar os malditos gigantes.

― Mas por que tantas?

― Por que tenho um exército em formação para um ataque surpresa.

― Posso fazer parte desse ataque?

― De forma alguma, não permito estranhos no meu batalhão. Eu sou o comandante e não conheço você.

― Pois vai conhecer agora. ― Sírio dá um dá um chute no comandante que o faz ir pelos ares.

Vários soldados, multicor surgem de repente em socorro do seu líder, capturando o agressor, que ainda derrubara 20. Sírio enquanto é espancado, sem gemer, trinca os dentes até que solta um enorme grito de ira que estremece os dois universos, seguido de uma explosão hedionda, lançando o exército inteiro em milhares de direções.

CAP 30: O SUPER BURACO-NEGRO

Sírio veste uma das armadura de diamantes que só existem naquele universo e segue caminho. Um mágico ao avistá-lo voa a meia distância.

― O que você deseja em meus domínios, cavaleiro de diamante?

― Só quero conhecimento. ― Sírio cria um sol para enxergar melhor a zona escura onde o mago se escondia.

― Cuidado, cavaleiro, a luz não é benquista aqui.

― Não me importo, vim para dominar. Una-se a mim ou sofra as conseqüências.

― Você sabe com quem fala?

― Não, nem quero.

― Sou Aion, senhor do tempo psicológico.

― E eu sol um deus-sol, e você sabe que os deuses do sol são mais fortes. E você nem é o verdadeiro Aion, pois os deuses antigos estão quase todos mortos, e o Aion grego faz parte da lista.

― É verdade, mas enquanto um deus morre no seu universo, no meu surgem trilhões.

― Sei. E quando esses trilhões de cá forem destruídos por mim, o super-deus iconoclasta, seu universo se desfará?

― Boa pergunta, mas você não sobreviverá para saber.

― Isso é o que veremos.

Aion o deixa em estado sonolento e arranca-lhe o elmo, quando de repente é atacado por tubarões brancos voadores.

Quando Sírio sai do seu transe, vê o oponente em batalha com alguém que ele não mais contava.

― Sísifo, você conseguiu escapar com vida? Pensei que você já era.

― Que nada, aquele buraco-negro é só uma passagem para o universo dos tubarões-brancos voadores. Domei um cardume imenso e aprendi com um mago de lá alguns feitiços para fabricar bons tubarões de guerra.

Sírio aproveita para atacar Aion com uma bola de fogo resultante de todo o seu poder. Mas, acontece que ele tinha ficado muito mais forte sem se dar conta. Seu ataque não apenas matou o inimigo como ultrapassou universos de vampiros, lobos, lobisomens, matando tudo que encontra pela frente até que explode com a força de mil super-novas, gerando um vácuo que faz surgir um super buraco-negro, e este engole todos os universos.

― Sírio, o que você fez? ― Sísifo busca uma solução de fuga, mas não encontra saída.

CAP 31: O ÚLTIMO SOBREVIVENTE

Durante a batalha na Terra Amadeu, enfraquecido, usa suas habilidades de gangrel para sobreviver. Primeiro transforma-se em lobo, quando faz a diabler em muitos dos gigantes, depois funde-se com a terra. Essa fusão o salvou daquilo que os nórdicos chamavam de Ragnarok.

O buraco-negro criado nos outros universos engoliu o que conhecemos e Amadeu agora é toda a matéria. E nisso, retorna ao seu modo favorito, o antigo boêmio vestido com terno, luvas, chapéu e sapatos brancos, até sua gravata era assim.

O boêmio está ciente do que aconteceu, pois agora ele é algo bem acima do que qualquer ser místico, ele é a própria matéria.

― Será que sou tudo o que existe? ― Reflete sem se convencer que é ele a própria matéria de tudo o que existiu antes que preenchia o espaço vazio.

O boêmio se transforma em pensador. As indagações consomem sua mente. De repente resolve testar a infinitude do vácuo-cólor, viajando mais rápido que a luz.

CAP 32: ZARATUSTRA

O pensador esbarra em algo.

― Finalmente saberei! ― Ao usar sua visão noturna vê apenas outro sobrevivente.

― Quem é você?

― Eu sou Zaratustra.

― O mesmo Anaquarrá?

― Sim e não.

― Explique-me de modo melhor, sobrevivente. Como existe algo além de mim se eu sou ao mesmo tempo toda a matéria dos universos de outrora?

― Não, pensador, o que dizes não é verdade.
Amadeu dá-lhe um soco que o faz ficar zonzo, depois o morde no pescoço abruptamente até que a diabler esteja completa.

― Ele tinha razão. Mas se eu não falava a verdade é por que eu nunca tive acesso a ela. Aqueles universos eram um cubo-mágico-automático onde cada quadrado do cubo era um universo. O cubo-mágico-automático onde eu nasci foi destruído, ou melhor, reconfigurado em mim por que eu tive a sorte de por acaso ser um vampiro da raça gangrel.

Agora sou o homem-além que Zaratustra procurava através de suas reflexões nietzscheanas. Sou o super-homem melhorado e vou dominar outros cubos-mágicos-automáticos. Enfrentarei todos os pensadores sobreviventes, pois é o único meio pelo qual poderei alcançar a verdade que Zaratustra tanto pregava, inclusive quando afirmou que eu não falava a verdade.

No entanto, eu não menti, apenas não tive contato com ela ainda, logo eu que sou tão vaidoso tendo que admitir minha profusa ignorância, portanto não a posso descrever, uma vez que não a conheço. Minhas dúvidas virarão certeza!

CAP 33: OUTROS SOBREVIVENTES

Um palhaço golpeia Amadeu, que usa golpes da capoeira para se esquivar e imobiliza o adversário.

― Você é um palhaço-salteador. Quer tentar de novo? ― O pensador o solta.

― Não, eu sou um dos salteadores prestes a virar algoz do algoz, senador.Você é pior do que nós. ― Um bando de palhaços surge.
Amadeu cria um lobo de gelo da altura de um cavalo, no qual monta. Em suas mãos surgem um escudo e uma espada álgidos.

Um deus surge dentre os palhaços.

― Você precisa de nossa ajuda para dominar o conhecimento do qual veio se lambuzar.

― Sua máscara seria bem-vinda, mas a que preço, Loki?

― Quero metade de teu reino para mim, afinal, tu és o político mais corrupto que já vi. Não entendo como alguém da tua laia, elite ladra e assassina, quer com a verdade?

― Rá-rá-rá! O grande palhaço aqui é tu, deus celta. A loucura buscando um pacto com um pensador guerreiro. Até estás certo, quando pensei ser humano fui elite corrupta da pior espécie, mas o que isso me torna que alguém?

― Tu foras o eu já pior de tudo quanto eu já conhecera, eras do Clube dos Poderosos e ao mesmo tempo assaltava bancos. Eras amigo dos bandidos por um lado e por outro era o carrasco que adorava matá-los com uma super-metralhadora que tu mesmo construíste para esse fim com o dinheiro roubado dos cofres públicos sendo o teu patrocinador.

― É verdade, deus louco do fogo e discórdia, tudo o que não consegui foi a mulher por quem entrei uma vez em coma, mas de nade me arrependo, afinal eu sou a matéria de um cubo inteiro transformado como presumiria Lavoisier. Estou acima de tudo isso, pois na natureza tudo se transforma infindamente. Agora, cala-te, antes que eu decida matar você e sua gangue!

― Não é justamente isso o que tu pretendes com essa suposta busca da verdade?

Amadeu congela o deus celta e seus palhaços.

Outro sobrevivente atravessa seu caminho, um homem vestido de smoking numa versão absolutamente preta, com gravata borboleta. Empunhava uma espada e um escudo fabricados de diamante negro.

― Heitor?

― Sim, mas não aquele mesmo que conheceras, tudo aqui é uma variante daquilo que já existiu no cubo de onde tu viera e que agora te tornaras a ti mesmo. Eu sou um ser supremo como tudo o que tu encontrarás pela frente, não sou aquele mero humano com quem outrora lutaras e quase morreras. É vergonhoso um deus morrer para um simples humano.

Amadeu salta do lobo rodopiando três vezes para frente no ar até cair à frente do oponente que golpeia seu escudo de gelo com a espada de diamante negro. E antes de Heitor poder dar o segundo golpe, o lobo de Amadeu o congela.
O boêmio faz o adversário em mil pedaços com um soco no estômago.

CAP. 34: O GRANDE SOBERANO

Soldados de fogo tentam levar Amadeu preso.

― Por aqui ainda existe prisão?

― Sim. E você está preso a mando da soberana Isadora por haver matado o soberano Heitor.

― Isso acabou de acontecer. Como vocês sabem?

― Não interessa, você vai conosco!

― Acho que você não sabe com quem está falando.

― Não queremos saber.
Amadeu congela todos os soldados com exceção de um e indaga para a ele:

― Onde fica o tal império de Isadora?

― Eu não direi. ― O soldado lança fogo no boêmio, nisso, todos os outros se descongelam e lançam chamas nos olhos do inimigo, que se defende com seu escudo de gelo.

O reforço é pedido por rádio. Amadeu cria clones de gelo que não derretem fácil frente ao fogo. Balas e flechas de fogo atingem o escudo do capoeirista tantas vezes que ele decide participar mais ativamente da batalha. Nesse momento chega o reforço.
O guerreiro é atingido por balas de canhão e metralhadora, o que o faz cair no solo com suas armas quebradas. Então cria um campo-de-força em volta de si próprio. Em seguida, cria lobo de fogo, gelo e eletricidade.

― Lobos, ataquem!

Cria também clones de água, gelo, eletricidade e fogo. Na batalha, muitos dos soldados inimigos são feitos de escravos, claro que seus clones são os feitores e seus lobos os capitães-do-mato.

O pensador invade milhares de cubos pela frente, criando novos reinos com sub-reis em todos, que recebem todas as regalias e são na prática reis quando o pensador está ausente.

Amadeu fica então conhecido como O GRANDE SOBERANO, e viaja a conquistar os cubos cósmicos na esperança de encontrar o reino de Isadora, pois os seus primeiros escravos jamais revelaram o local, por maior tortura que sofressem, até que Amadeu desistiu de perguntar para ir à busca por conta própria.

CAP 35: O MUNDO DOS TUBARÕES

― Amadeu, seja bem-vindo aos meus domínios!

― Sísifo?

― Sim, o original. Antes do cubo todo se comprimir eu e Sírio explodimos vários universos, e nisso, fugimos do grande buraco-negro.

― Será que todos os cubos estão fadados ao buraco-negro?

― Espero piamente que não, por que aí ficaremos sem lar.

― Sim, mas pra que precisamos deles enfim? Somo seres superiores.

― É vero, mas eu gosto de ter um lar e reinos também.
Nesse momento, Amadeu é engolido por um tubarão. Milhões de tubarões voadores surgem de repente, em um deles Sírio surge hipnotizando as tropas de Amadeu, pois tinha o poder de Hipnos e Aion.

Os clones e os lobos partem para a luta, pois são invulneráveis a qualquer magia de paralisação físico-mental.
Muitos tubarões morrem eletrocutados, queimado, congelados e estraçalhados, todavia, vencem no fim.

CAP 36: O SENHOR DAS ALMAS

Amadeu explode o tubarão de dentro, ficando totalmente vermelho com o sangue da fera quando recebe um feitiço, de paralisação e domínio da mente.

― Você agora está sobre o meu domínio.

Amadeu é usado para conquistar outros cubos em nome de Sísifo, que mata Sírio para dominar seus poderes. Os tubarões, juntamente com os clones e os lobos de fogo, gelo, água e eletricidade formam um exército imbatível. Amadeu cria uma armadura para si de fogo, uma espada de gás e um escudo de água, montando num lobo de orvalho.

Todos os cubos acabam por ser conquistados e o soberano agora é conhecido como O SENHOR DAS ALMAS, Por que almas são o seu exército pessoal.

CAP. 37: O GRITO

Sísifo, um mero mortal fictício, domina agora a mente de todos os seres superiores com o poder da hipnose, outrora de Hipnos, Aion e outros deuses antigos. Os deuses há muito já não existem e os seres superiores dormem em sono profundamente alienante.

Será que algum dia alguém acordará completamente ímpio e iconoclasta o bastante para por abaixo o império de ectoplasma descobrindo que o destino não é controlado pelas parcas nem por Deus, que há muito está morto, ou Buda, Ganesha, Olodumaré, Tupã, Osíris, Zeus, Kaiser, Krisna, Wotan, Zoroastro, Réia ou por algum outro ser composto de misticismo?

Dentre os dominados, que eram mortos a todo instante, pois sem pensar o povo é gado eis que um deles tem um súbito desejo de consciência e grita com toda a força de sua garganta:

― Acordem!

CAP. 38: A FUGA DOS ATEUS

Muitos acordam, mas poucos têm a coragem de permanecerem acordados. Esses corajosos já não podem ser atingidos por Sísifo nem por nada que estiver no reino das almas, pois para ser dominado é preciso ter fé em seu governante, e esses eram puramente céticos.

Dentre os céticos, alguns se chamaram ateus, e dentre os ateus altamente céticos, sem o menor misticismo, um chamou-se Ateu Poeta. Não se considerava sábio mais buscava algo o mais próximo possível do que os pensadores sempre chamaram de verdade.

Cada ateu fugiu para um local escondido que O SENHOR DAS ALMAS não poderia jamais transpor, pois para chegar lá não era possível para os fracos de pensamento, uma coisa que a força bruta não dá.

Sísifo olha para os céticos em fuga e diz: ― Aonde vocês vão?
Um dos céticos responde: ― Vamos para a terra chamada Liberdade de Pensamento, você conhece?

― Não. Mas vocês também não irão conhecer! ― E com essas palavras lança um feitiço para que ninguém jamais fugisse para a terra onde os ateus habitavam.

Alguns dos céticos se acovardam e voltam a dormir enquanto os outros filosofam entre si para conseguir transpor o feitiço.

Alguns céticos viraram ateus mas não conseguiram se libertar de pensamentos místicos e enlouqueceram ao não conseguirem transpor para a Liberdade de Pensamento.

CAP. 49: ATEU POETA, O LIBERTADOR

Dentre os céticos ateus alguns chamaram-se cientistas e outros filósofos. Dentre os filósofos poucos conseguiram ver além e pediram ajuda a um ateu da terra da Liberdade de Pensamento.

― Como, ateu do livre pensamento, nós podemos chegar aí onde tu estás?

― Ateus não existem! ― Gritou Sísifo irado pelo medo de perde seu rebanho e mandou que se prendessem os filósofos.

Os cientistas por outro lado disfarçaram suas ânsias para depois criarem armas capazes de libertarem os filósofos, com a ajuda dos acordados. Mas as armas dos cientistas não conseguiram libertar os filósofos, do contrário, os pôs também na prisão.

Eis que um dos ateu volta para tentar libertar alguns, e disfarçado de zumbi, visita um filósofo.

― O que quer aqui, zumbi? ― Diz o filósofo.

― Zumbi eu? Rá, rá, rá! Eu me fiz de zumbi para trazer um pouco da Liberdade de Pensamento a vocês.

― E quem é você?

― Sou aquele que outrora chamaram de Amadeu Branca Nuvem, Amadeu Dias Branco, Anjo Vermelho, Lobo Branco, Mestre Arcanjo e Pensador. Agora sou Ateu Poeta.

― Renegas então o teu nome, Ateu?

― Não só o meu nome original, mas todos os outros a que eu mesmo me atribuí e de tudo aquilo que me chamaram; como Algoz, Gangrel Makunji e Nuvem. Só não renego ser capoeira, boêmio e guerreiro à procura da verdade.

― Então tu não alcançaste a verdade ainda? Então de que adianta ir à tua terra, Ateu, se a verdade não está lá?

― O problema, filósofo, é que esperamos que a verdade esteja em um único lugar. Ela, do contrário, é complexa e às vezes até penso em desistir, mas aí lembro que alcancei outras pequenas verdades que me fazem feliz.

― Estás enganado, Ateu, felicidade não existe.

― Nunca disseste pior mentira, caro filósofo.

― Do que tu veio me salvar, se enfim somos todos prisioneiros, na tua terra ou na minha?

― É uma questão que não posso te dizer, tens que sentir.

― Tu é de fato ateu, Ateu? Ateus não existem! Se tu vieste me salvar é por que teu ateísmo virou uma ceita, uma religião de ateus.

― Como posso ter criado uma ceita de ateus se ateus não existem? É uma contradição e isso é o que se chama de mentira suja, pois confunde até grandes pensadores.

Um cientista interrompe o diálogo: ― Ateu, o que eu faço para poder sair dessa prisão?

― Tens que amar a verdade acima de tudo.

― Então olhe com calma em volta de ti e veja que essa prisão não existe, assim como não existem os seres místicos nos quais tu insiste em crer?

― Quero crer em ti, mas não consigo.

― Se você quiser ir à minha terra, terá que decidir crer não em mim, pois tu és o teu caminho como eu sou apenas o meu próprio caminho. Para creres na verdade deves antes por em xeque tudo o que aprendeste e em breve estarás com o pensamento livre.

― Se tu és cientista, testas as tuas grades para veres que não existem. Vocês cientistas são os únicos que pode chegar à terra da Liberdade de Pensamento nesse momento.

O cientista disse, então: ― A liberdade de pensamento é a única existente. ― Nesse momento uma das barras da grade que o prendia desapareceu.

Os demais cientistas se animaram e começaram a cogitar quase que filosoficamente: ― O livre arbítrio é uma ilusão para nos aprisionar nas religiões.

― As religiões matam as nações muito mais do que as salvam.
Até que um atou a charada: ― A verdade não é algo a se encontrar num baú e sim uma experiência física que se sente através do pensamento, mas que nem todos podem aceitar. Nós somos apenas um detalhe perante tudo o que existe, e embora muitos corremos juntos ao encontro da verdade, achá-la é uma sensação individual, pois quando a alcançarmos, se é que alguém a alcançará algum dia por completo, a sentiremos de forma idiossincrática.

Com essa revelação as barras já não mais estavam ali, nem O SENHOR DAS ALMAS, os cientistas perceberam que a terra da LIBERDADE DE PENSAMENTO não era nenhum país distante mais um estado de razão plena.

― Viva Ateu Poeta, o nosso libertador! ― Brindam os cientistas que também viraram ateus não-místicos e céticos.
― Não, meus amigos, eu não liberto. Apenas vocês libertam a si mesmos, embora muitos careçam de mestres para se libertarem de muitas prisões. Da maior de todas as prisões nenhum mestre poderá ajudar.

― E qual é ela, meu mestre? ― Dizem alguns filósofos desejantes da liberdade de pensamento.

― O medo da verdade. Enquanto temerem a verdade, jamais as alcançarão.
Ateu Poeta se retira, seguido por alguns dos cientistas que viraram ateus realmente céticos e anti-místicos, materialistas, e para a surpresa dele próprio um filósofo também o seguia.

― Filósofo, estás livre, mas como?

― Ora, o filósofo também pode alcançar altos níveis de racionalismo, embora que muitos de nós sejamos redundantes e petulantes, o que acontece também com os cientistas que não conseguem se libertar. O próprio pensamento empírico pode servir ao viajante que busca a verdade. Agora todos nós subimos a outro nível e ao mesmo tempo descemos. Somo questionadores infantis.

― Eu diria, questionares apenas, por que somos até infantis, todavia, crianças raramente poderão entender a verdade como nós.

― Então somo o super-homem que Nietzsche buscava através de Zaratustra?

― Não, aquele é um grau impossível de alcançar e do modo que ele queria é impossível.

Assim caminhavam até que Ateu Poeta parou de responder para também perguntar, e todos estavam agora no mais alto grau de pensamento. Cada um chamava-se de QUESTIONADOR. Questionar não é fácil, é para os homens de coragem.

ATEU POETA
04/05/2010
Pacoti-CE
4h e 45min